


O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato
O amor comeu minha certidão de idade, minha genialogia, meu endereço
O amor comeu meus cartões de visitas
O amor veio e comeu todos os papéis onde escreveram meu nome
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas
O amor comeu metros e metros de gravatas
O amor comeu o número dos meus sapatos, o tamanho dos meus chapéus
O amor comeu minha altura, meu peso, a cor dos meus olhos e de meus cabelos
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas
Comeu minhas aspirinas, minhas ondas curtas pelo raio X
Comeu meus testes mentais, meus exames de urina
O amor comeu minha estante e todos os meus livros de poesias
Comeu meus livros de prosa, as citações em versos
Comeu meu dicionário, as palavras que poderiam se juntar em versos
O amor voltou para comer os papéis e repetidamente eu tornar a escrever meu nome
O amor corroeu minha infância com dedos sujos de tinta
Cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas
O amor comeu até os dias não anunciados nas folhinhas
Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio
Os anos que as linhas de minha mão me asseguram
Comeu o futuro grande atleta, do grande poeta, comeu as futuras viagens em volta da Terra
As futuras estantes em volta da sala
Comeu minha paz, minha guerra, meu dia, minha noite, meu inverno, meu verão
Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
Não entendeu?
Agora reeleia o texto, mas substituindo a palavra AMOR por TRABALHO, que dará todo um sentindo!

A diferença do amor e o ódio é que por ódio você mata. Por amor você morre…

Amor é encontrar uma coragem dentro de sí, que você nem sabia que tinha. (Filme - ABC do amor)

Sou novata por aqui, oi?